segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Saudamos a vitória da Chapa 1 "Quem vem com tudo não cansa" nas eleições do DCE da UFF. 

A vitória demonstra um progressismo nas pautas da universidade, a vitória da expansão, das cotas e do avanço nas lutas pela popularização da universidade.

Nós do Comitê de Luta pelo Socialismo-UFF afirmamos nossa posição de independência no movimentos de massas e que estaremos coerentemente apoiando as pautas que forem de interesses dos estudantes, da comunidade acadêmica e que favoreçam a entrada do povo pobre e trabalhador na universidade, assim como estaremos combatendo integralmente as posturas neoliberais na educação.

sábado, 15 de novembro de 2014

O PCML-BR (Partido Comunista Marxista Leninista - Brasil), convida os militantes, amigos, simpatizantes e entidades para o lançamento dos Comitês de Luta Pelo Socialismo. Atividades políticas e culturais. Homenagem ao Levante de 1935.

Endereço :SINDPETRO, Av Passos, 34, Centro, 29/11 sábado ás 14h.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Comitê De Luta Pelo Socialismo, núcleo da Universidade Federal Fluminense (CLPS-UFF), integrante do Movimento Nacional de Lutas Contra o Neoliberalismo, formado por estudantes e trabalhadores que se organizam no espaço da Universidade em torno dos ideais do Marxismo-Leninismo em combate às políticas neoliberais, indica aos estudantes da UFF o voto crítico na Chapa 1 - “Quem vem com tudo não cansa” - para as eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFF).

A premissa primeira para a nossa indicação de voto crítico consiste na condenação de qualquer tipo de aparelhamento dos movimentos de massa, entre eles o movimento estudantil. Defendemos que o DCE deve ser um espaço para lutar pelas pautas urgentes dos estudantes e da Universidade. É por isso, por assim entendermos, que a nossa crítica é feita tanto à chapa apoiada pela atual gestão, “Quem vem com tudo não cansa” (Chapa 1), formada por forças do PT e PC do B, quanto à chapa de oposição, “Virar a UFF do avesso”, com a orientação do PSOL, PSTU e PCB, que, uma vez instalados, se utilizam do DCE como um órgão extra-oficial de seus partidos e grupos políticos.

Entretanto, apesar de considerar o exposto acima, optamos pela indicação de voto na CHAPA 1 “Quem vem com tudo não cansa”, devido a esta se encontrar -  sob a luz dos acontecimentos - à frente das lutas demandadas pelo estudantes em comparação à CHAPA 2, de oposição, pois defendeu desde o início o processo de ampliação que vive hoje a universidade através do REUNI, mesmo com todas as limitações deste projeto, enquanto que a oposição insiste em falar em “precarização”. Enquanto que o grupo em torno da CHAPA 1 defendeu os recursos do Pré-sal para saúde e educação, a oposição se debateu internamente se esse recurso natural deveria ser explorado ou não.

Ao mesmo tempo, nós criticamos a CHAPA 1 por terem um posicionamento tímido frente à algumas políticas e práticas neoliberais que imperam no interior da universidade, como a entrada do banco do Santander nas dependências da UFF, e um posicionamento tardio frente à entrada da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) que tem como objetivo privatizar os hospitais universitários que já se encontram em condições deploráveis de funcionamento, podendo gerar graves consequências para as pesquisas desenvolvidas. Diante desses fatos, a oposição, representados pela CHAPA 2 se posicionou sobre esses assuntos com uma perspectiva oportunista de combater a qualquer custo o REUNI, como se as medidas particulares que dizem respeito semente à universidade comprometessem a ameaça do projeto neoliberal como um todo.

Tais posturas assumidas pelo grupo representado pela CHAPA 2, leva-nos a crer que a oposição se coloca, no mínimo, fora do plano da realidade, pois, ao se posicionar contra a expansão da universidade estão condenando a entrada de jovens e adultos pobres, negros e favelados, que pela primeira vez estão tendo a oportunidade de ingressar no ensino superior.

Nossa posição vem justamente na contramão desta pratica viciada e que tanto prejudica o Movimento Estudantil. Para nós, o ME deve ser dirigido pelos próprios estudantes e para os estudantes. Uma proposta viável seria de que os Diretórios Acadêmicos (DA) e Centros Acadêmicos (CA) indicassem os diretores do DCE, diminuindo a possibilidade de aparelhamento por parte de grupos partidários eleitoreiros, ampliando e democratizando a voz dos estudantes tanto na gestão, quanto nas assembleias, e estabelecendo um canal direto nos debates sobre as pautas da universidade e dos projetos de educação para o Brasil.

Como Lênin já afirmava na sua obra “O que fazer”, o movimento de massas “não é a guerra, mas a escola da guerra”.  Portanto, o Movimento Estudantil deve ser um espaço de aprendizado para a luta, em que o estudante se coloca diante de suas pautas do dia-a-dia: mais assistência estudantil, residência universitária e ampliação das vagas e cotas, entre outras pautas urgentes, colocando-o como protagonista num movimento que o faça compreender – através de um processo dialético - que por mais que estas demandas avancem e sejam conquistadas, a Universidade Popular não poderá ser plenamente constituída enquanto perdurar a lógica da sociedade capitalista.

POR UM DIRETORIO CENTRAL DOS ESTUDANTES PARA OS ESTUDANTES E O POVO! 
POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA DE QUALIDADE E DE LIVRE ACESSO! 

Comitê de Luta Pelo Socialismo-UFF

sábado, 8 de novembro de 2014

 A batalha recente por mais verbas para a educação não se localizava nas proximidades dos estádios onde vai ocorrer a Copa do Mundo, mas sim no Congresso Nacional.

Há quatro anos Câmara e Senado debatiam o projeto do novo Plano Nacional de Educação (PNE) destinado a definir os rumos da educação nacional para o período 2011-2020.  De imediato, salta aos olhos a demora de três anos para sua aprovação.

Quais as dificuldades para se chegar a um acordo?

É fato corrente que nas últimas décadas houve um crescimento significativo do acesso à escola, mas além de um conhecimento cada vez mais restrito a pontos específicos da ciência e da técnica, chama a atenção de todos os interessados no problema da educação a baixa qualidade da formação dos estudantes. O acesso ao ensino fundamental praticamente se universalizou, já que 97% dos brasileiros entre 7 e 14 anos estão matriculados.

O analfabetismo funcional sofreu uma queda nos últimos 12 anos: em 2002 o Brasil apresentava um total de 32,1 milhões de analfabetos funcionais, o que representava 26% da população entre 15 anos ou mais de idade; hoje representa 18%. Nos últimos 12 anos foram criadas 14 universidades. É uma situação tão grave que mesmos os avanços parecem pouco notados. Como explicar esse quadro?

As precárias condições de trabalho na educação, entendidas como a situação das escolas e a remuneração dos profissionais, são consensuais que, em grande parte, são insatisfatórias.

A média dos salários é muito baixa, o que por si já é grande desestímulo à atividade docente, mas acrescente-se a falta de equipamentos e tecnologias adequadas, desde a mais tradicional, como a disponibilidade de livros em bibliotecas atualizadas e o acesso à rede mundial de computadores.

A privatização dos setores de serviços, que inclui cada vez mais a educação sob as mais diversas formas, tem transformado os trabalhadores desses setores em produtores diretos de mais-valia e precarizado as relações trabalhistas.

Na rede pública recorre-se aos contratos temporários porque é possível rebaixar ainda mais o salário e as garantias sociais.  Na rede particular, observa-se a tendência das escolas assumirem diretamente que são empresas capitalistas, abrindo mão do caráter filantrópico que assegurava isenções de impostos e facilidades provenientes desse status, assim passam a atuar sem amarras, negociam suas ações nas bolsas de valores e formam conglomerados que podem incluir produção de bebidas alcoólicas, cigarros e etc.

A intensificação da extração de mais-valia  extensiva e intensiva se acelera, especialmente no segundo caso com a padronização dos procedimentos pedagógicos e o uso da tecnologia digital. Dessa forma, a composição orgânica no setor também reflete a tendência geral da economia capitalista e as “máquinas de educar” se tornam cada vez mais estratégicas, como se pode ver no aumento da chamada educação a distância.

A privatização do setor assume características particulares. Importantes segmentos do capitalismo se organizam para disputar verbas públicas em áreas como produção de material didático e formação de professores.

Esse setor se expressa publicamente através do movimento “Todos pela educação”, articulação de capitalistas que são levados agora a reivindicar não somente isenção fiscal, redução de impostos, perdão de dívidas e outros incentivos, mas também aumento de recursos para a educação.

Portanto, a campanha pelos 10% do PIB para a educação contou com o vivo interesse do movimento, visando o percentual de recursos destinados às escolas particulares. Não devemos ficar surpresos com isso, e nem com o fato de um partido social-democrata no governo estimular tal pretensão.

O resultado foi a aprovação de um PNE consensual, que não representa um avanço significativo para uma educação socialista nem atende completamente os interesses dos capitalistas da educação, que acham algumas metas “insuficientes ou tímidas”.

Isso deve ser explicitado porque críticas superficiais podem imobilizar ou desviar os setores potencialmente mais comprometidos com transformações estruturais na educação brasileira.

A elevação dos investimentos dos atuais 5% para 10 % ao longo de 6 anos e o comprometimento de algumas estratégias com o setor particular, como é o caso dos programas FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), PROUNI (Programa Universidade Para Todos) e PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), perfeitamente assegurados no Plano, não fazem dele medida de impacto  capaz de “mudar a situação das escolas e elevar o ânimo dos professores, que passariam a desenvolver suas atividades com entusiasmo e dedicação” (Saviani, 2007).

No entanto, temos uma situação nova que poderá servir de importante instrumento para a luta dos trabalhadores da educação, dos estudantes e de suas famílias.

A aprovação no ano passado de 75% dos royalties do petróleo e 50% do excedente em óleo do pré-sal para a educação é outro instrumento de luta a ser levado em conta. A omissão do plano quanto às fontes de financiamento não é tão grave na medida em que esta lei já foi aprovada.

Na relação entre meios e fins, o PNE também expressa uma composição que procura atender às mais diferentes orientações, desde o aligeiramento da formação com o incentivo de cursos de pós-graduação stricto sensu, usando a chamada educação a distância, até a definição da meta de se alcançar a educação integral em 25% do ensino básico.

Esta meta, de fato tímida, tem o grande mérito de recolocar em evidência a educação integral, experiência das mais importantes em nossa história.
Aprovado pelo Congresso em 3 de junho último, em menos de 30 dias o PNE foi sancionado pelo Presidenta Dilma. Começa agora a batalha por sua implementação.

Quanto ao acompanhamento e controle das metas, o Plano propõe um fórum nacional de educação e a realização de conferências nacionais. Não é preciso ir muito longe para vermos o quanto será árdua a luta para que o PNE não seja bem sucedido apenas nos aspectos que favorecem a educação capitalista, e se tornar simples retórica, ou fracasse nos aspectos favoráveis à grande maioria da população. Para tal, as oligarquias estão bem organizadas e contam com todo o apoio da mídia dos monopólios.

Os trabalhadores, estudantes e pais terão que aperfeiçoar seus instrumentos de mobilização e organização para acompanhar o cumprimento das metas que de fato lhes interessem, como melhoria das escolas e condições dignas para os trabalhadores da educação, capaz de proporcionar-lhes entusiasmo e dedicação.

As grandes mudanças na educação não ocorrem sem grandes lutas, desde a criação da escola pública pela Revolução Francesa até as grandes conquistas na ciência e acesso à cultura nas revoluções socialistas do século XX.

Estamos à frente de um desafio que exige identificar a particularidade da educação e sua relação com a política de uma sociedade de classes, na qual ela se subordina.

O agravamento das crises capitalistas aprofunda esta subordinação, não havendo praticamente espaço para investigações que não se subordinem aos interesses do capital (Bevilaqua, 2011).

Comitês contra a educação neoliberal e por uma educação não-capitalista, portanto socialista, podem ser as bases da campanha pela educação que organize os setores sociais que de fato precisam de uma educação pública onilateral, capaz de formar plenamente o ser humano e contribuir na construção da sociedade comunista.

Referências:

BEVILAQUA, Aluisio Pampolha. A Crise do Capital em Marx e suas Implicações nos Paradigmas da Educação. Fortaleza; Rio de Janeiro: Editora Inverta; Edições UFC, 2011.

SAVIANI, Dermeval. O Plano de Desenvolvimento da Educação: análise do projeto do MEC. Educação e Sociedade, Campinas, vol. 28, n. 100 - Especial, p. 1231-1255, out. 2007. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>

CEPPES – Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais.

Essa matéria foi publicada na Edição 473 do Jornal Inverta, em 26/06/2014